Laura. Esse será o nome dela, pensaram os pais. Nome de lady, Lady Laura. Nome de mulher séria, íntegra. Nome de mulher de verdade.
Mas os pais estavam enganados. Laura nasceu puta.
Laura era puta desde a primeira vez que abriu as pernas, no caso ainda na barriga da mãe para o médico ver o seu sexo e então se tornar Laura. Ironia grande, que seu primeiro gesto de puta se tornasse a razão de tanta taxação. E ai nunca mais acabou...
Ela nasceu e em sua casa, tudo era rosa. Desde a roupa do neném, até a parede do quarto. Rosa por que é de mulher, não por que é bonito.
Continuou a crescer, mas Laura ainda não sabia que era puta, ela nem conhecia essa palavra. Pra ela não existia diferença entra mulher de verdade e mulher “da vida”. Pra ela era tudo mulher, tudo igual. Foi quando seu irmão nasceu que Laura viu sua verdadeira face. O quarto do irmão, era todo azul. Azul por que é cor de homem.
Com o passar do tempo Laura começou a dar sinais da sua “putisse”, queria jogar bola ao invés de brincar de boneca. Queria fazer teatro ao invés de balé, o que doeu no íntimo da mãe já que filha atriz era INACEITÁVEL. Por que? Por que as atrizes são todas... putas.
A mãe insistia, ensinava a filha a se vestir como moça, como mulher, mas a filha só queria saber de short, não gostava das saias. A mãe ensinava a filha a se valorizar, dizia que mulher direita só fazia sexo depois do casamento... mas Laura era PUTA! Queria ser livre pra fazer sexo quando ela tivesse vontade e com quem ela tivesse vontade.
Ah! Se a mãe soubesse dos questionamentos de Laura... “Por que não posso fazer teatro?” “Por que não posso jogar bola?” “Por que eu varro a casa enquanto meu irmão só dorme?” “Por que? Por que? Por que?”
Alcançou a maior idade. Idade de ouro. Idade de casar. Os pais já estavam preocupados, já que a menina não apresentara nenhum pretendente até hoje. A cabeça dela “que vivia nas nuvens” andava mais ocupada com outros questionamentos do que as cuecas de quem ela lavaria pro resto da vida. E foi só os pais começarem com essa história de casamento que Laura EXPLODIU.
Não se aguentava mais. Largou tudo. Foi fazer seu teatro, jogar sua bola, foi ser ela. Foi ser puta. Laura finalmente entendeu que se pra ser livre era preciso isso, então seria o que ela faria. Ela não nasceu pra casar com quem os pais querem, não nasceu pra usar saia longa. Não nasceu pra lavar as cuecas.
Laura nasceu pra ser puta. Nasceu pra ser LIVRE. Nasceu pra ser mulher.
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