Quando trago essa lógica pros relacionamentos e enxergo o quanto já me confundiram essas malditas arapucas percebo que mesmo com toda essa experiência, ainda sim sou passível de uma rede bem lançada. Jamais culparia o meu caçador, afinal se a presa está disponível por que não? Mas vejo que em anos de vivência e decepções com caçadores experientes aprendi no mínimo a discernir entre o amor propriamente dito e paixões que atravessaram e irão, certamente, atravessar o meu caminho.
Com essa reflexão, vejo que o meu desejo pelo impossível se alimenta principalmente da minha falta de aptidão para enxergar a hora de parar. A hora de dizer chega. Sempre, em anos, eu busquei por objetivos que jamais iria alcançar mas me forçava a pensar e criar formas de conseguir. Até a exaustão já cheguei inúmeras vezes, mesmo sabendo que eram mínimas as chances de sucesso. Eu conseguia? Sim, na maioria das vezes. Mas afinal, após tanto sofrimento já não me bastava mais minha cisma e ao fim, percebia o quão estúpido havia sido o meu esforço.
Contudo, todas essas vivências traziam marcadas em si a minha vulnerabilidade em função do outro. Sempre fora fácil me manipular. Afinal, o que quer quem deseja sempre o impossível? Quanto mais empecilhos o outro colocasse mais excitada eu ficava para obtê-lo e me perdia no caminho. Dessa forma, eu deixava que o pescador me levasse com seu anzol pra onde quer que ele quisesse.
Nesses momentos é que eu agradeço os meus quase concluídos 20 anos. Não que eu seja velha ou vivida. Mas algo que minha ponderação vigésima me proporciona é assimilar que deixar que tais caçadores me conduzam é nada mais, nada menos que silenciar a boca da única pessoa que pode me impedir de cair nessas armadilhas: eu mesma. A minha resistência em frente a possibilidade de desistir sempre foi o que eu considerei minha maior qualidade. Eu chamava de persistência, até ver que na verdade era teimosia.
Hoje, percebo o quanto a minha teimosia em correr atrás do rabo já me fez mal e o quanto eu desperdicei por não ver a hora de parar. Por sorte, percebi tal defeito cedo, a ponto de corrigi-lo com o tempo. Mas ainda sim, sei que vou perseguir muitos anzóis e rabos por ai, afinal a vida é um eterno mar de erudição existencial.
Com essa reflexão, vejo que o meu desejo pelo impossível se alimenta principalmente da minha falta de aptidão para enxergar a hora de parar. A hora de dizer chega. Sempre, em anos, eu busquei por objetivos que jamais iria alcançar mas me forçava a pensar e criar formas de conseguir. Até a exaustão já cheguei inúmeras vezes, mesmo sabendo que eram mínimas as chances de sucesso. Eu conseguia? Sim, na maioria das vezes. Mas afinal, após tanto sofrimento já não me bastava mais minha cisma e ao fim, percebia o quão estúpido havia sido o meu esforço.
Contudo, todas essas vivências traziam marcadas em si a minha vulnerabilidade em função do outro. Sempre fora fácil me manipular. Afinal, o que quer quem deseja sempre o impossível? Quanto mais empecilhos o outro colocasse mais excitada eu ficava para obtê-lo e me perdia no caminho. Dessa forma, eu deixava que o pescador me levasse com seu anzol pra onde quer que ele quisesse.
Nesses momentos é que eu agradeço os meus quase concluídos 20 anos. Não que eu seja velha ou vivida. Mas algo que minha ponderação vigésima me proporciona é assimilar que deixar que tais caçadores me conduzam é nada mais, nada menos que silenciar a boca da única pessoa que pode me impedir de cair nessas armadilhas: eu mesma. A minha resistência em frente a possibilidade de desistir sempre foi o que eu considerei minha maior qualidade. Eu chamava de persistência, até ver que na verdade era teimosia.
Hoje, percebo o quanto a minha teimosia em correr atrás do rabo já me fez mal e o quanto eu desperdicei por não ver a hora de parar. Por sorte, percebi tal defeito cedo, a ponto de corrigi-lo com o tempo. Mas ainda sim, sei que vou perseguir muitos anzóis e rabos por ai, afinal a vida é um eterno mar de erudição existencial.
Quadrilha
João amava Teresa
que amava Raimundo
que amava Maria
que amava Joaquim
que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e
Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
Late a matilha toda, e não tem rabo que não esteja mordido em dia de lua cheia!
ResponderExcluir