segunda-feira, 23 de junho de 2014

O "pra sempre" é logo ali

 verdade é que em dias plenos de informação, interatividade e velocidade, as pessoas ficam cada vez mais burras quando se trata sensibilidade. Eu sei, muitos outros já disseram coisas sobre isso, mas entenda como um desabafo. 

Olhando para o mundo, para as minhas experiências como ser humano enxergo hoje pessoas rasas, sem qualquer sensibilidade. Pessoas que proferem as palavras e tomam atitudes sem tomar primeiro a consciência do valor de cada detalhe. A velocidade do nosso tempo não cabe na contemplação do sentido de alguma coisa. É chato, é careta. 

Em um universo onde o amor da sua vida dura em média três semanas falar um "pra sempre" é quase tão corriqueiro quanto fazer xixi. Trata-se do fenômeno da desvalorização das palavras. Qualquer palavra que falamos hoje não significa tanto quanto antes. 

Tenho uma teoria: não é preciso ser extremamente sensível ao mundo para perceber que o tempo estar "passando mais rápido", dessa forma o nosso pra sempre chega com muito mais velocidade do que estávamos habituados. Desta forma com o tempo passando rápido ate mesmo o mais sempre dos "pra sempre" duraria pouco. Nenhuma eternidade resiste a uma conexão de 20Giga. 

Isso reflete em nossas relações interpessoais. Um casal que se conheceu a menos de uma semana já esta namorando, noivos em seis meses e se casam com um ano de convivência. Grandes são as chances de aos três anos de relacionamento eles já terem gêmeos e estarem se separando. No meio disso, um mar de juras de amor eterno e "até que a morte separe". 

A verdade é que hoje, não valemos mais do nosso sentimento, pois não sentimos como deveríamos sentir. Não temos tardes quentes de novembro, nem anos de namoro muito menos cortejo. 

A vida se tornou mais cheia de experiências, vivemos 50 anos em 5 mas nossas experiências interpessoais são cada vez menos sentidas. Somos tolos buscando uma infinidade de sensações que jamais teremos a chance de viver e se tornarão, ao final, só mais uma experiência e nunca "a" experiência.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Os psicólogos maconheiros e o crime da generalização

...“todo aluno de psicologia é maconheiro”...

Até o dado momento ainda não sei o que foi mais doloroso: ouvir esta frase de outro universitário ou conhecer a ideia que embasa o que o outro universitário disse.

Esta frase foi proferida por um universitário do curso de direito. Essa frase foi proferida em um ambiente onde eu julgara haver grande discussão a nível político e pouca ignorância e generalização. Enganei-me.

Não vou ceder a esta antiga mania que é mãe do senso comum de generalizar e antes de continuar, deixo aqui a minha certeza de que este texto não é referente a TODOS os alunos do curso de direito. E sim, a todos os alunos DE QUALQUER CURSO que ainda não entenderam o significado de estar e utilizar o espaço da universidade pública.

Infelizmente esta não é a primeira vez que escuto esse tipo de frase. Não me ofende o fato dele generalizar o uso da maconha ou qualquer outra droga. Isso não me atinge, por que sei dos meus conceitos e das minhas atitudes. E mesmo que eu fosse usuária de maconha (ou qualquer outra droga, lícita ou ilícita) esta mesma opinião do estudante de direito continuaria sendo absolutamente inútil na minha vida. As minhas ações e condutas desrespeitam a mim e APENAS a mim. Eu sou livre.

O grande problema nesta afirmação, vem nas consequências dela. Em tempo que a universidade é cada dia mais controlada e que nós temos que enfrentar cada dia mais burocracia e dificuldades para alcançarmos o que é nosso por direito, uma afirmação de cunho preconceituoso e claramente ofensivo a outro estudante é no mínimo, inaceitável.

A minha crítica se dirige a este estudante, mas na intenção de afetar a todos aqueles que continuam a generalizar e ironicamente separar cada vez mais os cursos. Não é de hoje que existe rivalidade entre os cursos. Por gerações se perpetuam preconceitos absurdamente inúteis e burros por todas as UF’s do Brasil. A medicina é superior a todos, as exatas são mais “sérias” que os cursos de humanas e por aí vai... Uma série de conceitos sem qualquer lógica, que são reforçados em cada uma das frases repetidas décadas e décadas.

Meu sentimento diante deste tipo de atitude é uma grande tristeza. Não pela opinião por que pra mim ela é só mais uma das inúmeras que escuto e ignoro. Mas tristeza pela ignorância do meu caro colega de universidade que na sua pouca inteligência ainda não compreendeu que nós, do direito e da psicologia não somos cursos. Nós somos a UFF. Nós, do direito, da matemática, da física, da administração... e da psicologia. Todos juntos, temos o direito de frequentar e usufruir do espaço e dos benefícios da faculdade, só e unicamente por que somos uma universidade.

Num tempo que reclamamos tanto da burocracia exagerada, do mal funcionamento dos poderes públicos e de todos os problemas que são NOSSOS, saber que existem pessoas inseridas dentro de uma instituição pública que é de todos e ainda não compreenderam o sentido do todo, é preocupante, triste e desmotivador.

Meu único conselho para esse futuro formando da área de humanas, é que pratique o exercício do conhecimento e da sensibilidade a fim de entender e compreender, não só o fato de não sermos todos maconheiros, mas principalmente o fato de que ser da área de humanas, significa antes de tudo lutar contra qualquer tipo de desumanidade. E isso, meu caro colega, inclui a sua frase tosca e sem fundamento.